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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Redentor rejeitado

"Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer" (Isaías 53:3). É impressionante considerar que o redentor da humanidade teve que vir ao mundo não somente sem ser anunciado, mas não reconhecido e indesejado. Tivesse sido deixado à nossa iniciativa, nunca teríamos, naturalmente, lhe pedido que viesse. E quando, pelo divino cuidado, ele veio, não tivemos sequer o bom senso de reconhecer nele nossa única esperança de escapar ao desastre. Ele era o criador do universo, e por seu poder todas as coisas são mantidas (Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:2-3). Somente pela sua força os homens podiam respirar (Atos 17:25-27), e no entanto, quando ele veio ao mundo, eles nem mesmo o reconheceram (João 1:10).

Você poderia pensar que, quando Deus desnudou seu santo braço diante das nações, na pessoa de seu único Filho, nós teríamos tido sensibilidade suficiente para ao menos identificá-lo. Mas Isaías disse que isso não aconteceria, e não aconteceu. Quando o Messias viesse, o profeta disse, ele seria desprezado como um embaraço, julgado simplesmente indigno de notícia. "... como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso" (53:3).

Mas se é notável que o mundo em volta não ficou impressionado com o Filho de Davi, é absolutamente notável que ele foi rejeitado pela nação de Israel. Ele era o seu Messias, o ungido de Deus, o objeto de sua aspiração nacional, o consolador, apaixonado sonho de seus corações. Desde o tempo de Abraão eles tinham alimentado a esperança de sua vinda. Entretanto, quando ele veio, até eles o rejeitaram (João 1:11). É incrível! Mas Isaías disse que isso haveria de acontecer, e aconteceu. A advertência não mudou nada. Por fim, até os chefes espirituais da nação ficariam no monte onde o crucificado estava exalando os últimos suspiros e atirariam ao seu rosto as próprias palavras que Davi tinha profetizado: "Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no SENHOR! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer" (Salmo 22:7-8; Mateus 27:43).

A maioria de nós imagina que teríamos sido mais sensíveis, reconhecendo facilmente o Servo de Deus. Mas a pergunta é: Como? Por aquela ficção dos artistas medievais, a auréola em volta de sua cabeça? Pelo seu dinheiro? Sua óbvia nobreza? Seu poder político? Como poderiam pessoas como nós, fascinadas e ocupadas com tantas superficialidades estúpidas, ter visto a verdadeira beleza de sua absoluta santidade e amor? Isaías descreveu a recepção que ele teria da maioria, se não de todos nós. E é indescritivelmente ultrajante.

Mas nos versículos 4-6 Isaías descreve as perturbadoras reflexões que viriam a ocupar a mente de alguns daqueles que tinham tratado o ungido do Senhor com tal desdém. "Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido" (Isaías 53:4). Era inclinação natural da mente judia julgar que os infortúnios de um homem fossem o resultado de sua própria iniquidade, um homem mau acabando mal (Jó 4:7-9; João 9:1-2). Assim aqui: "nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido". Sem dúvida os principais sacerdotes que maquinaram a execução de Jesus aquietavam quaisquer dúvidas que pudessem ter, dizendo a si mesmos que um homem bom não poderia chegar a tal fim e, se ele fosse realmente o Filho de Deus, eles jamais poderiam tê-lo tratado tão mal. Mas a pureza deste inocente sofredor, e a mensagem clara do sistema sacrificial deles, finalmente traz o remanescente judeu acordado à percepção de que sua agonia fala, não da feiura de seus pecados, mas dos deles. "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades" (Isaías 53:5). Por fim, eles veriam espelhada nos horrores da cruz a imensidade de sua própria perversidade. Assim todos nós temos que ver. Se isto foi o que custou a Deus e seu ungido para propiciar nossos pecados, eles devem ser mesmo negros. Precisamos olhar atentamente para o sofrimento do Servo, até que verdadeiramente vejamos a nós mesmos. As "nossas enfermidades" no versículo 4 são entendidas por Mateus, que diz que esta mesma passagem foi cumprida quando Jesus libertou o possesso do demônio e curou os doentes (Mateus 8:17). Mas é preciso ser lembrado que é a ligação das doenças físicas e a morte com o pecado (veja Gênesis 3:17-19) que torna significativo o serem carregados pelo Messias. Ele curou um homem paralítico, não para que os homens soubessem que ele podia curar os doentes, mas para que soubessem que ele poderia dizer, com certeza, "... teus pecados estão perdoados", e para que todos pudessem "saber que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados..." (Marcos 2:9-11). É claro que o pecado era o objeto da preocupação do Messias, mas a solução do problema do pecado afasta finalmente todas as misérias resultantes que nossa iniquidade trouxe sobre nós (1 Coríntios 15:25-26).

O pensamento mais potente nestes versículos é que Deus, através de Seu Servo escolhido, queria suportar as cargas que nós, por nossa própria teimosia, temos suportado sozinhos. Israel não era uma vítima inocente, nem ignorante. Nós também não somos. Como ovelhas distraídas, todos temos seguido, sabendo e querendo, "nosso próprio caminho". E a "paz" e a "cura" do espírito que buscamos tão desesperadamente foi comprada ao preço dos castigos e dos açoites que Jesus suportou.

- por Paul Earnhart

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Formando denominações

Recentemente ouvi um pastor de uma determinada denominação dizer, "Eu sou um cristão luterano. Isto significa que minhas raízes históricas e teológicas se prendem à Alemanha." Quando ouvi isso, pensei, "Eu sou um cristão segundo o Novo Testamento. Isto significa que minhas raízes históricas e teológicas se prendem a Sião."

Infelizmente, porém, conceitos sectários estão se infiltrando no vocabulário dos cristãos. Pregadores progressistas falam freqüentemente em "nossa irmandade" e "nossa camaradagem".

Contudo, dificilmente falarão em "nossa fé", com um sentido partidário, ou "nossa igreja", como uma denominação entre muitas. Há somente "uma fé" (Efésios 4:5), e a "igreja" pertence a Cristo (Mateus 16:18). Do mesmo modo, somos mandados amar os irmãos (1 Pedro 2:17), e os apóstolos nos deixaram um registro permanente de documentos inspirados, "para que matenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo" (1 João 1:3). Se há apenas uma fé e um corpo de Cristo, então há somente uma comunhão de santos em geral. E há somente uma irmandade, a menos que alguém reivindique outra paternidade que não a de Deus.

Os cristãos que seguem o Novo Testamento são membros de um corpo universal de Cristo, que inclui todos os cristãos, e eles devem esforçar-se para serem membros de uma congregação local fiel. Além disto, o Novo Testamento não contém nenhuma instrução ou autorização para participação em qualquer outro corpo religioso. Uma coligação de igrejas locais formando uma seita maior ou denominação ocorre sem precedentes nas Sagradas Escrituras.

O problema com as denominações é que elas procuram organizar consórcios de igrejas "da mesma fé e ordem" em torno de suas próprias sub-categorias, suas próprias tradições humanas, suas próprias agências burocráticas e suas próprias estruturas de poder. Os laços exclusivos que ligam os crentes a uma particular tradição de fé deste tipo não são encontrados no Novo Testamento; de outro modo, seriam a propriedade partilhada por todos os cristãos. Em conseqüência, não há necessidade de poder humano e vanglória — para não mencionar compromisso doutrinário — que o partidarismo de denominacões inevitavelmente perpetua.

Como um cristão segundo o Novo Testamento, não sou membro de uma quase coligação de igrejas. Fui batizado "em um só corpo", a igreja de nosso Senhor (1 Coríntios 12:13; Colossenses 1:18). Isto inclui todas as pessoas que têm sido salvas por Jesus Cristo, que "conhece os que lhe pertencem" (2 Timóteo, 2:19). Sou, também, membro de uma "igreja de Cristo" local (conforme Romanos 16:16), um grupo de "santos" em um lugar geográfico, com seus próprios os bispos e diáconos (Filipenses 1:1). Através da associação com outros, eu reconheço igrejas fiéis em outros lugares, e quero oferecer meu auxílio e orações por elas. Este reconhecimento de outras igrejas, não obstante, nunca chega ao ponto de aprovação oficial. As igrejas que pertencem a Cristo estão em suas mãos, não nas minhas (Apocalipse 1:3).

Nunca promoverei nem defenderei nenhum tipo de irmandade de igrejas. Nossa tarefa é pregar o evangelho, e promover a lealdade a Jesus e a sua verdade. A primeira abordagem leva a pensamento partidário de denominações; a segunda conduz ao céu.

-por Mike Wilson

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Açular a ira

"Porque o bater do leite produz manteiga, e o torcer do nariz produz sangue, e o açular a ira produz contendas." (Provérbios 30:33).

Há uma história sobre uma pessoa que cria na Bíblia e estava empenhada numa conversa com um céptico. De um modo ousado e desafiador, o céptico afirmou: "Não há uma única coisa na Bíblia que você possa demonstrar fisicamente ser verdadeira." Rápido como um raio, o crente agarrou o céptico pelo nariz e começou a torcer, a apertar e espremer até que o sangue escorreu. O céptico deu um passo atrás e ficou surpreso demais para falar. O crente encarou o nariz do céptico sangrando e citou este provérbio. Ele observou, "Acabo de demonstrar que a Bíblia é verdadeira quando diz que torcer o nariz faz sair sangue."

Pressão é o ponto
As palavras "bater", "torcer" e "açular", nesta passagem, traduzem o mesmo termo hebraico (miyts). A idéia, em cada caso, é a de aplicar pressão ou espremer.

Fred H. Wight diz: "O processo de fazer manteiga nos tempos bíblicos era, sem dúvida, o mesmo usado pelos beduínos árabes de hoje." Então ele cita o relato de Thomson em The Land and the Book que descreve o processo de fazer manteiga:

"O que aquelas mulheres estão batendo e sacudindo tão zelosamente naquele grande saco preto suspenso naquele tripé? Aquilo é um odre, e não um saco, feito da pele retirada de um bezerro de búfalo. Está cheio de leite e esse é o seu método de bater. Quando a manteiga se separa, elas a tiram e a fervem, e então põem-na em odres feitos de pele de cabra."

Assim, bater a manteiga envolvia espremer e torcer o leite dentro do odre (Manners and Customs of Bible Lands, p. 50).

Ira e contenda
Assim como bater o leite produz manteiga e o torcer do nariz faz sangrar, o espremer a ira produz contenda. Ira e contenda são intimamente relacionadas (Gálatas 5:20).

A palavra hebraica para "ira" neste provérbio é aph. Ela denota "o membro com o qual respiramos, o nariz; raiva que se mostra com respiração forte" (Wilson's O. T. Word Studies). Ela é traduzida como "cólera" 171 vezes, "ira" 42 vezes, e tem outras traduções, aparecendo mais de 250 vezes no Velho Testamento. É um sinônimo de chemah, que aparece 120 vezes no Velho Testamento e é traduzida como "ira", "fúria", "cólera", "irritado desprazer," "calor" e "veneno". A ira é um estado emocional que é perigoso, "pois inflama todos que chegam perto da pessoa que está encolerizada" (Nelson's Expository Dictionary of the O. T.).

A palavra hebraica para "discórdia" é rib, e é usada 60 vezes no Velho Testamento. Significa uma querela, disputa ou contenda. Pode também significar luta ou briga.

Forçar a ira
Forçar ou torcer a ira pode ser feito de diversas maneiras. Eis algumas delas:

Remoer pensamentos sobre injustiças ou injúrias. Alimentar pensamentos tristes sobre suas próprias dores é como incubar ovos que produzirão serpentes. Saul evidentemente se remordeu bastante depois que foi rejeitado por Deus como rei de Israel. Ele ficou irado quando a Davi foi dado maior honra do que a ele, e tinha Davi de olho desse dia em diante (1 Samuel 18:8-9). O remoer sua cólera contra Davi levou a briga aberta. Saul fez tentativas de matar Davi. Sua cólera acendeu-se contra seu próprio filho Jônatas, porque ele favorecia Davi (1 Samuel 20:30). Nenhuma injustiça tinha sido feita a Saul, mas remoer seu descontentamento levou sua ira ao ponto de conflito. Há quem nunca aprenda a sofrer injúria graciosamente. Tornam encolerizados, e seu remoer condensa a cólera até que irrompa em briga.

Provocar uma pessoa de temperamento esquentado. Se existe, em alguma circunstância, uma necessidade de tato e diplomacia, é quando se lida com alguém que tem temperamento violento. Falar com ele em tom de dura reprovação ou de severidade é como fazer caretas e rosnar para um cão buldogue. Isso espreme a ira até o ponto de briga.

Fazer observações irritantes. Afirmações calculadas para incomodar e irritar são como socos no nariz. Zombarias freqüentemente provocam uma pessoa para brigar. Simei atirou insultos e maldições a Davi, mas o rei se manteve frio (2 Samuel 16:5-13). Muitas pessoas permitem que insultos forcem a ira, que ferve em batalha.

Ameaçar e intimidar. Exprimir intenção de infligir dano, ou insinuá-la, freqüentemente produz conflito. Sambalá e seus parceiros tentaram intimidar Neemias a parar o trabalho no muro de Jerusalém (Neemias 4:7-8), mas Neemias era homem bom demais para permitir que sua ira fosse forçada.

Atos que agitam. Conduta que perturba, choca, ou incita a cólera pode resultar em contendas desagradáveis. A cólera de Davi acendeu-se contra o rico da parábola de Natã. Ele via os atos do homem como afrontosos. Mas o rico ilustrava o próprio Davi (2 Samuel 12:4-5).

A cólera é pedra atirada num ninho de vespas; é vento que apaga a lâmpada da razão. E, tão certo como bater o leite produz manteiga e espremer o nariz faz sangrar, forçar ou pressionar a ira produz contenda.

­por Irvin Himmel

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Filhas de Bate-Seba

queda de um dos maiores homens da história é relatada no capítulo 11 de 2 Samuel. Davi é o homem. Ele se envergonhou e desonrou ao seu Deus. As pessoas que estudam a vida dele são entristecidas pela mancha na vida que, em outros sentidos, foi admirável e justa. Davi pecou terrivelmente quando cometeu adultério com Bate-Seba. Ele não minimizou seu pecado como fosse pequena coisa ("é apenas sexo") e tentou desesperadamente, se não honrosamente, esconder a sua transgressão.

Mas, o ponto deste artigo é como tudo isso começou. Sabemos que Davi já foi chamado de homem que agradou a Deus (1 Samuel 13:14). Como esse homem valente começou a sua descida é relatado com simplicidade em 2 Samuel 11:1-2:

"Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém. Uma tarde, levantou_se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa."

Em primeiro lugar, ele não estava no seu devido lugar com o exército. Em segundo lugar, Bate-Seba estava tomando banho num lugar visível. Não importa, em termos do efeito, se ela pretendeu atrair Davi ou simplesmente foi negligente. Em terceiro lugar, Davi viu o que não devia ter visto, mas não desviou os olhos.

A falta de modéstia de Bate-Seba foi o ponto de partida na queda de Davi. Nenhuma mulher pode se dizer inocente em estimular paixões carnais num homem quando ela mostra sua forma física diante dos olhos dele. Mesmo quando uma mulher não pretende e não permite a consumação da paixão, ela pode induzir o homem ao pecado. Davi não pecou quando olhou? É claro que Davi pecou antes de tocar nela. Independente das intenções dela, e do coração dela (seja mau ou vazio), a falta de discrição dela teve um efeito terrível.

Nós vivemos numa geração onde moças e mulheres ousadamente aparecem em vários degraus de nudez. O fato que elas o fazem, sabendo que homens carnais estão olhando, apenas aumenta à culpa delas. Talvez Bate-Seba teria argumentado que ela não sabia que alguém olhava. Mas, aquela que sabe que outros estão olhando, seja na piscina, na praia ou em algum tipo de festa ou espetáculo, não tem desculpa quando se expõe praticamente nua. Trajes de banho, "shorts" curtos e roupas semelhantes apelam aos desejos carnais do homem, e têm causado muitos a pecar. Nem precisamos observar o fato óbvio: mulheres virtuosas e modestas usam roupas consistentes com os seus valores de decência e reverência para com Deus.

Comenta-se que, se Davi tivesse previsto o resultado final de seus atos de paixão pecaminosos que, uma vez que Bate-Seba não escondeu seu corpo, ele teria escondido seus olhos. "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida" (Provérbios 4:23).

-por Jere E. Frost

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domingo, 27 de dezembro de 2009

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